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Candidato do PSD Loulé quer esconder a sua política austeritária

Carta aberta dirigida ao candidato do PSD, partido do governo, à presidência da Câmara Municipal de Loulé

 

O candidato do partido do governo (Helder Martins) brindou os funcionários da Câmara Municipal de Loulé com uma carta personalizada, endereçada ao domicílio de cada um.

Como teve acesso aos endereços pessoais? É a primeira interrogação, dada a existência de legislação sobre proteção de dados que não permite que os mesmos sejam utilizados para um fim diferente daquele para os quais foram fornecidos, sem autorização do visado. Poderá a Comissão Nacional de Protecção de Dados investigar?

“Os funcionários da Câmara Municipal de Loulé são pessoas dignas e capacitadas…”, afirma. Ora é exactamente porque o são, que já perceberam que o objectivo da missiva é amaciar a revolta contra as injustiças que sentem, face às medidas do actual governo que têm tido na Câmara de Loulé uma seguidora convicta.

Ou não foi esta Câmara que retirou algumas regalias aos funcionários de mais baixas remunerações, em atividades mais ingratas, contribuindo também com isso para degradar o serviço prestado à população? Alguém  ouviu o candidato, enquanto deputado municipal, criticar ou combater esta política?

Os funcionários da Câmara, muitos dos quais até votaram no PSD, já perceberam como  é  falsa a conversa de certa gente. Como podem antes, afirmar o contrário do que farão depois?

Estará o candidato porventura esquecido que é dirigente local do PSD e que, como tal, poderia mobilizar outros militantes e dirigentes para exigir internamente a mudança desta política?

Não se desculpe com leis nacionais e com imposições da troika. O seu partido sempre afirmou querer ir para além da troika, quando ainda os portugueses não tinham consciência do significado de tão nefasta palavra. E quanto às leis nacionais, se o poder local não estivesse enfeudado ao seu partido, o mesmo onde se destacam Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima, Miguel Relvas, e Passos Coelho e seu governo, haveria de ter batido o pé contra a destruição de direitos e de serviço público.

O que já fez o candidato,  para enfrentar a retirada de direitos e de dinheiro aos que menos têm, para os entregar aos que especulam, aos que a coberto das leis que os favorecem nunca são condenados pelos “desvios”, que todos os que trabalham têm que pagar?

O candidato do PSD vem reconhecer, na sua carta, que "Os tempos de crise agravaram de forma inquietante o nível de vida das famílias, o que as deixa fragilizadas socialmente" e mostra a sua bondade, afirmando que "a autarquia deverá apoiar socialmente os funcionários em situações de necessidade extrema, garantindo-lhes apoio em áreas básicas como a alimentação, a saúde ou a educação dos seus filhos".

Propõe-se ainda, disponibilizar "aconselhamento jurídico e social para os apoiar  em diversas áreas, tendo especial atenção a situações de sobreendividamento". Esquece o candidato a sua qualidade de apoiante do actual executivo da Câmara, que retirou rendimentos aos funcionários, uma das causas das dificuldades por que muitos estão a passar.

Há medidas que fazem sentido, mas quem causou o sofrimento presente, não dá qualquer garantia de ser melhor no futuro.

Primeiro, apoiam-se políticas que atiram as pessoas para dificuldades extremas, depois, acena-se com a caridade de quem tem o poder. Primeiro, retiram-se direitos básicos, depois, promete-se apoio aos necessitados.

Os funcionários da Câmara Municipal de Loulé, como os cidadãos do concelho,  dispensam ser humilhados e subjugados, forçados a pedir-lhe a sua compreensão e  ajuda, que V. Exª poderá deferir ou indeferir!

Respeite a dignidade dos funcionários da Câmara!  

O PSD, em Loulé, tem sido apoiante e seguidor das políticas do governo que nos oprime. O candidato afirma ter orgulho nesse passado. Não vale a pena esconder o símbolo, escrever cartas "macias", pois está mais do que identificado com as políticas de austeridade!

Vamos rejeitar a nova tentativa de logro!

Em defesa da dignidade de todos, venceremos o medo!

Loulé, 31 de julho de 2013

A Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda - Loulé