O discurso de José Graça, que era o responsável financeiro da CML por delegação do presidente Seruca Emídio, pretende negar uma evidência que está devidamente documentada e criar a ilusão de ter legado contas equilibradas quando recorreu a um programa de financiamento como o PAEL, que se destinava exclusivamente a apoiar as Câmaras Municipais endividadas, assumindo um plano previsional de amortizações que obriga ao pagamento de juros no valor 540 454,38 €. Com a adesão a este programa a CML perdeu completamente a autonomia financeira ficando sujeita a condições inaceitáveis de forte restrição nas atividades municipais que levou a paralisia do município, com graves consequências nos serviços de limpeza, nos apoios sociais e nos serviços de transportes de crianças e idosos e na redução forçada de trabalhadores não pertencentes aos quadros municipais. Seria mais sério se assumisse as suas responsabilidades políticas e reconhecesse que a sua gestão “esteve acima das nossas possibilidades”, como dizia Passos Coelho para justificar o empobrecimento forçado do país e o roubo de salários e pensões.