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Visita à Guiné Bissau – Novembro de 2008

Quelélé, Bissau – Fontanário público, poço individual e água de lavagens - a contaminação hídrica deve-se principalmente à infiltração dos esgotos domésticos, uma vez que a agricultura (horto-fruticultura, orizicultura e pecuária), na última década, regrediu drasticamente, ao ritmo da expansão urbana.

Na Guiné Bissau os níveis de pobreza, dos mais elevados do mundo, estão na origem de problemas de saúde pública que urge resolver. 

O crescimento demográfico e dos centros urbanos, provoca o desenraizamento cultural (mais de 20 etnias) e ameaça o ambiente e a qualidade de vida. 

Electricidade, água canalizada e esgotos são inexistentes. 

Só a cólera, provocada pela poluição da água, matou este ano 220 pessoas ... 

Como actuar é a questão.

Alguns governos Ocidentais e do Mundo Árabe, em conjugação com associações não governamentais, fazem o que podem …

Face ao aumento populacional verificado nas últimas décadas, superior a 2% ao ano, este deve ser acompanhado por medidas que preservem a saúde pública.

O ordenamento do território é essencial para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, nomeadamente, as zonas baixas “Polders - Gleysols” e outras áreas sujeitas a alagamento, na proximidade dos cursos de água, nunca deverão ser construídas…

Neste âmbito, a defesa da qualidade do aquífero, única fonte hídrica disponível, é da máxima importância.

A contaminação hídrica deve-se principalmente à infiltração dos esgotos domésticos, uma vez que a agricultura (horto-fruticultura, orizicultura e pecuária), na última década, regrediu drasticamente, ao ritmo da expansão urbana.

O problema da contaminação hídrica tem tendência para se agravar, tanto pelo crescimento populacional urbano, como pelo aumento de consumo unitário de água, motivado pela melhoria das condições de vida.

O sistema de fossas sépticas domésticas não parece compatível com a preservação do aquífero, tal como o lançamento das águas das lavagens na via pública.

O amontoado do lixo urbano, por longos períodos, também contribui para a contaminação hídrica, principalmente na época das chuvas, devido à lixiviação de substâncias poluentes solúveis (orgânicas e inorgânicas).

Em termos de preservação do aquífero e da saúde púbica, seria necessário:

A remoção atempada dos lixos urbanos da via pública, principalmente durante o período chuvoso (Junho – Outubro).

A elaboração de valas de drenagem, ao longo das ruas, para recolher e escoar os pluviais e as águas domésticas de lavagens. Em vários locais de Bissau foram construídas valas de profundidade exagerada, em termos de segurança pública.

Quando possível a construção de infraestruturas de esgotos colectivos que permitam a desactivação das fossas sépticas domésticas. Estes efluentes poderão também ser conduzidos para zona/s agrícolas ou florestais a regar.

A rega com águas residuais, por meio da condução das drenagens urbanas para zona/s agrícolas e/ou florestais. Os objectivos são ambientais (evitar a contaminação do aquífero) e económicos (economia de água e de adubos). O solo, o clima e as culturas devem ser tomados em consideração na escolha do sistema e na dotação de rega.

A rega com águas residuais, durante a época seca (Novembro-Maio), pode ser aplicada nos solos de arenitos “Ferralíticos-Ferralsols”, enquanto que nos meses chuvosos, a rega de arrozais, nos “Polders-Gleysols”, afigura-se como a mais adequada. 

Em conclusão, com baixos custos seria possível prevenir uma situação de doença com tendência para se agravar, junto de uma população que se encontra próxima de nós, não só na distância (3000 km) como na cultura e história …

O Bloco deveria solidarizar-se mais, em termos de ajuda internacional, com o objectivo de reduzir a miséria no terceiro mundo, nomeadamente (por ser mais fácil) junto dos países de expressão portuguesa …